segunda-feira, 4 de maio de 2009
Sobre uma coragem
Pela primeira vez, sinto a possibilidade da mudança como algo assutadoramente bom.
Ter prazer. Viver com prazer. Ser feliz.
Amar e ser amada.
Ter sonhos. Viver sonhos. Ser sonhos.
Querer ser. Poder ser. Vir a ser.
Sentir. Odiar. Perdoar.
Amar.
Descubro a possibilidade de fazer uso dos meus recursos,
Percebo o tamanho dos meus sonhos e a importância de tê-los.
Desvelo uma coragem de ser grande.
Velada, escondida. Uma chama abafada.
Um medo que esfumaça. Uma vontade que se esconde.
No entanto,
Descobri (a tempo!) que coisas ruins acontecem quando pessoas boas não fazem nada.
Descobri que a vida é feita de evidências.
Descobri que meus sonhos devem ser maiores que os meus medos.
Aprendi que sou como um elefante rosa e que é preciso sair do armário, mesmo sem ser gay.
Aprendi que sou grande e que isso não é ruim.
Aprendi que aprender é mudar e isso é a coisa mais poderosa que posso fazer por mim.
domingo, 19 de abril de 2009
Sobre um medo
Sou duas. Uma preta e uma branca. Uma sombra, a outra luz.
Vetores. Uma seta na direção contrária. Forte, tensa, dura. Presa, amarrada.
Um medo que segura, que enrijece, que tenciona.
Que me trava e me impede o fluxo livre.
Medo de ser livre. Medo de ser feliz.
Sensação de estar solta, frouxa, sem amarras.
Medo do lado bom da vida, das coisas boas, que me libertam, que eu aproveito, que seduzem. Necessidade de estar presa, amarrada, tensa a algo que me segure firmemente.
Minha vida caminha e eu nem consigo percebê-la desta maneira. Agarro-me com todas as forças ao que conheço.
Medo de não ter planos, medo de não ter certezas, medo de não saber...
Necessidade de me prender, me amarrar.
Fico na ilusão do poder, da certeza, do que possuo e do que controlo.
Medo. De deixar fluir, de deixar passar, de abrir caminho para chegar.
Medo de não saber.
Entranhas, passado, presente, família.
Laços, o que eu aprendi, o que sei, o que não quero ser, o que já sou.
O que estou sendo, me tornando, me construindo.
Uma página em branco, uma vontade.
Uma vida adiante e tantas possibilidades.
Escolhas, caminhos e uma estrada.
Não acredito.
Me obrigo, me brigo, me empurro uma necessidade, uma prisão, uma obrigação.
Um não sei o quê de tem que, um qualquer coisa de não posso simplesmente ser livre assim.
Aprendi a ter amarras, a me segurar, a ficar no mesmo lugar, a não ir muito longe.
Aprendi a me angustiar. Aprendi a ter obrigações, não a ser feliz e gozar da vida.
Sigo tentando, afrouxando, renovando.
Tentando acreditar na possibilidade de que a vida pode ser outra.
Mais leve, mais feliz, mais carinhosa, talvez.
Menos dura, menos rígida e menos contra.
A favor. De mim, das minhas vontades, dos meus desejos.
Das minhas possibilidades.
